Aquela companhia maligna que faz D&D: TSR edition
Tem certas coisas que vivem voltando. Falar mal dos jogos mais conhecidos, dizer que certos jogos ou modelos novos são ‘mais rpg’ que outros, dizer que tal jogo é chato e difícil, gente apontando pra alguma linha com boas vendas e fanbase e gritando ‘vai acabar, eles vão falir!’. Isso se repete a cada nova geração, depois de algum tempo a gente se acostuma.
Hoje em dia é normal criticar a WotC por várias decisões tomadas quanto a demissão de pessoas importantes e queridas pelos fãs, modelos de negócio que não funcionaram ou promessas não cumpridas. Muitas dessas críticas são válidas, a empresa realmente errou em vários momentos.
O engraçado nisso tudo, entretanto, é ver que o pessoal que critica a WotC muitas vezes tem respeito e memórias felizes sobre a TSR, aquela empresa que tratava bem os fãs, tinha mais interesse no ‘rpg arte’ do que lançar dezenas de suplementos e respeitava seus empregados.
Certo. Revisionismo histórico é uma maravilha mesmo.
Na verdade, quem jogava na época e conhecia um pouco mais sobre as coisas funcionavam fora do Brasil sabia que a TSR era criticada por muitos jogadores. Tanto que muita gente chamava ela de T$R. Processos contra os autores dos jogos de D&D, contra fãs que produziam material sem nenhum interesse de fazer lucro e práticas mais do questionáveis na sua tentativa de continuar crescendo no mercado.
Não estou criticando D&D antigão, tive muitas sessões boas nele. Só estou apontando que a TSR não era o exemplo de atitude empresarial que muita gente parece querer mostrar hoje em dia.
O que me motivou a escrever isso foi um twitter do tio Nitro (link) que fala sobre como a TSR mandou um de seus empregados espionar o Gary Gygax (link), um dos criadores de D&D.
Na época Gygax havia se afastado de D&D e da TSR depois de uma série de problemas com a empresa (má administração havia quase falido a empresa e os outros sócios resolveram vender sua parte sem consultar ele). O fato da empresa ter continuado a causar problemas pra ele mesmo depois de ter se afastado dela só ajudaram a piorar as relações do autor com a TSR.
Apesar dele sempre ter comentado sobre essa época num tom mais neutro, algumas declarações do filho e amigos de Gygax mostraram que ele sempre manteve algum ressentimento em relação a TSR.
O artigo apontado pelo tio Nitro mostra uma dessas tentativas de prejudicar Gygax. A história é sobre como a TSR enviou um de seus funcionários para ‘espionar’ um novo jogo de Gary que estava sendo apresentado na Gen Con daquele ano e verificar se ele era uma cópia do D&D (o que eles suspeitavam só porque em algum ponto do processo de desenvolvimento o jogo era chamado Dangerous Dimensions, apesar do título final ter sido Dangerous Journeys). E se fosse possível, conseguir algum comentário que ‘confirmasse’ o plágio para que eles pudessem abrir um processo contra Gygax.
O plano deles era tão ilógico, estranho e cheio de furos que é o tipo de coisa que só pode sair da cabeça de um executivo mesmo. De qualquer forma o empregado foi até lá, sentiu peso na consciência e reportou para seu chefe que não havia motivo para processar Gygax, pois o jogo não era um plágio.
A TSR processou mesmo assim.
Que empresa mágica, alegre e divertida. Gygax e Dave Arneson (o outro autor de D&D) só voltaram a ter boas relações com a empresa dona do D&D quando o rpg passou pras mãs da WotC e houve um esforço dos chefes da nova empresa em melhorar as relações com os dois autores.
Pulando para algo mais alegre, os comentários lá acabaram rendendo o discussões entre pessoas do mercado de rpg, inclusive de um dos filhos de Gygax. Dá pra notar bem como a figura do Gygax ainda é respeitada e admirada pelos rpgistas.







Ele é uma lenda por isso é respeitado. Merece nosso respeito, afinal se tornou uma lenda de herói, boa!
Quanto as empresas, falamos de uma cria direta e ainda vivente no ninho Capitalista, e jeito Americano de sugar o mundo! Não é uma surpresa… mas uma novidade sim….
Não é uma surpresa, infelizmente coisas assim já aconteceram.
No início da TSR houveram disputas entre dois criadores do D&D, Gygax e o Anerson (que depois se reconciliaram), e depois entre os irmãos Blume e o Gygax pelo controle da TSR.
Em 1985, Gygax perde definitivamente o controle da TSR para Lorraine Willians.
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Se eu não me engano, os Irmão Blume venderam suas ações da TSR para Lorraine abaixo do preço de mercado para se vingar do Gary Gygax