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Ravenloft: Autores para inspiração

23/07/2009

E já que conheço pelo menos mais três pessoas que estão mestrando campanhas em Ravenloft 4e e de uns tempos pra cá vários blogs já fizeram suas versões de ‘rpg e terror’, resolvi fazer o meu.

Incluir dicas sobre como escrever coisas assim fica redundante com a quantidade de artigos já feitos sobre o assunto, então resolvi me concentrar em listar três autores cujas histórias são boa inspiração. Com foco maior em Ravenloft já que é isso que estou mestrando agora.

Edgar Allan Poe: As obras dele são algo que todo mestre deveria ler. Poe é ótimo no aspecto do ‘descreva, não fale’. Em vez de definir a cena em poucas palavras (‘a criatura era um lobisomem’), ele descreve a cena com detalhes e deixa a imagem se formar na mente dos leitores. Muita coisa nunca é dita, mas fica subentendida devido aos detalhes descritos. Poe também é de interesse para mestres de aventuras de horror porque usa do fantástico e místico de forma a que sua presença seja superficial na história. O que em vários contos gera um questionamento se o que ocorre é realmente originado por algum ser sobrenatural ou por algum desequilíbrio mental dos personagens envolvidos. E como a maioria de suas histórias são contos ele acaba por ensinar como desenvolver uma história de terror rapidamente e se concentrando no que é fundamental.
A idéia inicial da minha última sessão (uma pessoa mantida viva através do hipnotismo) foi tirada de um de seus contos. Só precisei pegar o conceito inicial e então me perguntar, se algo como descrito no livro acontecesse em Ravenloft, quais seriam os resultados.

Stephen King: Mais fácil de encontrar em livrarias que Poe, Stephen King é bom para quem gosta de histórias mais longas ou de leitura mais fácil. As histórias de King tem a presença do sobrenatural de forma mais palpável, sendo que algumas usam de mundos fantásticos (O Talismã, Torre Negra) interagindo com o nosso mundo para contar suas histórias.
King ensina a trabalhar as cenas de forma lenta e a importância de trabalhar o cenário mesmo quando não se está criando uma ‘cena de susto’. Para Ravenloft, isso é bom porque ensina que numa história de terror a utilização de momentos de calmaria onde os personagens possam interagir com o local onde estão, permite aumentar o apego ao ambiente e aos npcs envolvidos.
Uma desvantagem de Stephen King é que nem sempre ele sabe trabalhar o final de suas histórias. Algumas vezes as situações se resolvem muito rapidamente, outras ele parece estar cansado e sem idéias ao final do livro. Ainda assim ele é um ótimo autor e seus livros costumam ser uma boa leitura.

Anne Ricce: A autora de Entrevista com o Vampiro, a série Crônicas Vampirescas (do qual Entrevista faz parte) e uma das grandes inspirações para o WoD.
Ricce escreve histórias com foco nos personagens, criando situações onde os ‘monstros’ ganham características humanas e o leitor pode se apegar a eles mesmo que abomine as ações que personagens praticam. O fantástico convive com o mundo real, mas fica nas sombras e fora da vista. Os monstros estão lá, entretanto eles se esforçam para não serem notados.
Os livros da autora são bons para aprender a construir personagens complexos e cujas tramas são desenvolvidas com base nessas características. Enquanto a maioria dos autores desenvolve histórias que se iniciam com fatos externos à vida dos personagens, Anne desenvolve muitas de suas histórias com situações criadas pelos próprios personagens e suas falhas (a ‘antediluviana’ acorda devido as ações de Lestat, por exemplo).
O problema de Ricce é que seus melhores livros são os primeiros. Quanto mais se avança na linha criada pela autora, mais o terror vai se perdendo e mais a autora usa de apelo barato.
Os três primeiros livros das Crônicas Vampirescas são muito bons, assim como Memnoch (apesar desse já demonstrar alguns sinais de decadência na habilidade da autora), sendo livros que qualquer mestre de Vampiro (novo ou velho) deveria tentar ler.

Fechando então, minha opinião final sobre os autores é que Poe é o que eu aconselho para leitores mais velhos, Anne é ótima para adolescentes (sem condescendência) e King para ler um bom livro de terror numa escrita mais leve. De Poe, existem vários livrinhos de bolso lançados no Brasil com seus contos. De Anne Ricce, pelo menos os três primeiros livros das Crônicas Vampirescas valem a pena ler (Entrevista com o Vampiro, O Vampiro Lestat, Rainha dos Condenados). De King, Torre Negra é provavelmente o que mais vai agradar a maioria dos rpgistas, pois segue o modelo série de livros e usa um estilo ‘mundo de fantasia’.

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