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Iniciativa M&M: Dollhouse (Histórias de Terror)

06/11/2009

iniciativa dllE agora que voltamos com a Iniciativa, o primeiro tema são Histórias de Terror. Estava pensando sobre o que escrever (e estava sem idéias pra isso, na verdade) quando assisti o episódio de quinta de Dollhouse. Então resolvi adaptar o futuro apocalíptico mostrado no episódio Epitaph One, que é um bom tema para histórias de terror.

Pra quem não conhece, Dollhouse é uma série de televisão produzida por Joss Whedon (Buffy, Angel, Firefly, Serenity), que discute questões como individualidade e mortalidade. A idéia da série é que existe uma grande corporação secreta que oferece o serviço de ‘aluguel’ de pessoas. Essas pessoas tem suas mentes apagadas e substituídas por personalidade falsas ou copiadas de outras pessoas. Elas então são disponibilizadas para os clientes durante um certo período de tempo para realizar alguma tarefa desejada. Considerando que a maioria dos Ativos (como são chamados as pessoas que tem as mentes apagadas) possuem ótima forma física e beleza, é fácil descobrir que tipo de tarefa eles são empregados na maioria das vezes.

Quando não estão em serviço a mente dos Ativos é mantida num estado inofensivo e infantil, fazendo com que eles ajam de forma similar a uma criança e sem memórias de suas missões (apesar de algumas raras falhas no processo de apagar e reconstruir personalidades) e mantidos em estabelecimentos secretos conhecidos como ‘Dollhouses’ (casas de bonecas).

O processo de apagar e reconstruir a personalidade das pessoas é realizado através de um aparelho conhecido como ‘cadeira’ e com um processo sem fio, que se subentende pode ser aplicado a distância através de qualquer aparelho eletrônico capaz de transmitir uma mensagem sonora. E aqui se inicia o apocalipse.

A tecnologia escapa do controle da organização e é desenvolvida até o ponto onde se torna possível apagar e reprogramar a mente através do uso de aparelhos eletrônicos capazes de enviar sinais, indo desde coisas simples como celulares até coisas mais complexas como estações de rádio e televisão.

A China (ou qualquer outra país) lança um ataque contra ( insira aqui a nação onde a campanha irá ocorrer), enviando uma transmissão para milhares de aparelhos eletrônicos (celulares, rádios, etc.), com objetivo de apagar e reprogramar a mente das pessoas na área no alcance do ataque. As pessoas que são afetadas perdem sua identidade e qualquer traço de personalidade original, apesar de manterem a inteligência. A ordem implantada na reprogramação é simples: elas devem atacar qualquer pessoa que não tenha sido afetada pela transmissão. Isso cria um exército instantâneo de homicidas sem controle, capazes de atos suicidas para cumprir a ordem.

Devido a gravidade da situação mostrada no episódio (e para aumentar o caráter apocalíptico), é possível supor que a transmissão possuía alguma capacidade de replicação (talvez na forma de um vírus de computador) que acaba por escapar dos limites do país-alvo inicial e se espalhar para o mundo todo. Sendo que em diversos lugares a transmissão continua a ocorrer anos após o ataque inicial, apagando a reprogramando a mente das pessoas que entram no alcance do efeito.

Isso gera um cenário similar ao tradicional apocalipse com zumbis, onde hordas de mortos-vivos passam a dominar um território. Existem algumas diferenças importantes, entretanto. As pessoas afetadas mantém parte de sua inteligência, sendo capazes de usar armas e tomar cuidados como se alimentar (é bom não pensar do que) ou usar roupas para se proteger de efeitos ambientais.

Além disso, existe o risco de entrar em áreas onde a transmissão ainda esteja ativa. Grandes áreas urbanas se tornam lugares perigosos, não só pelo exército homicida mas principalmente pela possibilidade de algum aparelho eletrônico ainda ativo conter a transmissão.

Mesmo um celular ou outro aparelho do tipo se torna algo perigoso após o surto inicial, pois a transmissão continua a se replicar. O uso de aparelhos eletrônicos então se torna mais difícil, pois elimina a possibilidade de comunicação à longa distância (pois qualquer coisa que possa receber uma mensagem sonora pode ser afetada pela transmissão) e aumenta o risco de pilhar locais abandonados atrás de suprimentos (afinal, basta um rádio ligado para encerrar a campanha).

As pessoas não-afetadas (os personagens dos jogadores) são os que tiveram sorte de não estarem no alcance da transmissão original ou demonstraram imunidade ao efeito (Imunidade, 10 graduações). Pessoas imunes devem ser muito raras, pois evitar as áreas onde a transmissão ainda ocorre deve ser uma das preocupações da campanha. Eu usaria um NP de 3 ou 4 para os personagens, sem poderes, com feitos e perícias comprados considerando com cuidado o que seria coerente com seus históricos (e não teria esperanças de uma campanha muito longa 🙂 ).

Pessoas na área de transmissão (supondo uma transmissão unicamente sonora) devem fazer um salvamento de Vontade contra dificuldade 15 por minuto que se mantiverem ali, sendo o primeiro teste realizado assim que entram no alcance. A dificuldade pode parecer baixa, mas considerando o nível de poder a maioria dos personagens vai precisar de 9 no dado (considerando alguém que maximizou sua resistência) e como não existe cura para o efeito, falhar é se tornar um NPC adversário dos outros personagens.

O Mestre pode usar para as pessoas afetadas as fichas de capangas do livro básico. É preciso tomar cuidado na escolha de adversários, porque os personagens-jogadores terão um nível de poder muito baixo e poucas formas de resistir e curar dano. O dano é sempre considerado letal, pois ninguém tem motivos para segurar seus golpes.

Uma idéia interessante pro grupo, considerando os poucos pontos para construção de personagem e a dificuldade de sobreviver num ambiente desses, é distribuir os conceitos dentro do grupo de uma maneira similar a que se vê em filmes de zumbis: um personagem é bom com aparelhos eletrônicos e computadores, outro é o atirador do grupo, outro é o médico, etc.

O clima da campanha é de sobrevivência numa situação que não pode ser vencida. O número de pessoas afetadas é muito superior ao de pessoas não-afetadas, a civilização entra em colapso e o caos se espalha. Dar algum objetivo maior (como viajar até um local que é considerado seguro ou encontrar uma cura para os efeitos da transmissão) é uma forma de inserir uma direção geral para a campanha, ajudando os jogadores a fazerem suas escolhas. Para um jogo mais informal ou onde as pessoas não se importam em perder os personagens, a sobrevivência no dia-a-dia seria o objetivo maior.

Jogando desde o momento da primeira transmissão é possível dar a sensação do caos aumentando e do desespero por não saber o que está realmente acontecendo. Entretanto, fica mais difícil justificar personagens que já comecem com habilidades úteis para sobrevivência (a não ser que todo grupo seja formado por policiais ou paramédicos com treinamento para sobrevivência em território hostil 😉 ).

Começar algum tempo depois do evento inicial permite justificar mais facilmente a construção de personagens que ainda mantém várias de suas habilidades de quando sua vida era normal, mas com algumas novas capacidades (como possuir uma arma de fogo ou adquirir algumas graduações em Sobrevivência).

Níveis de poder maiores seriam possíveis para quem quer algo mais próximo de Resident Evil e jogos similares, só que isso tende a diminuir o tom de terror da campanha e aumentar a ação. Esse conceito poderia ser utilizado num mundo com super-heróis, mas o caos acabaria por ser bem maior e a possibilidade de erradicação da espécie humana se torna algo possível, dependendo do tipo de ser que existe no mundo. Afinal, é difícil acreditar que alguém iria escapar vivo se o Superman ou o Hulk fossem afetados por algo assim.


E aqui vai o link para as outras máterias da Iniciativa (atuais e anteriores).

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3 Comentários leave one →
  1. 06/11/2009 8:23 pm

    massa esse cenário… lembra muito o livro Celular de Stephen King…

  2. 06/11/2009 8:37 pm

    Interessante a idéia, principalmente porque o adversário não é uma massa de carnes sem emoções (vulgo zumbi) que o personagem pode metralhar sem peso na consciência. Uma dica interessante é o enredo de Invasores de Corpos, você vai achar muito legal também.

    http://www.adorocinema.com/filmes/invasores-de-corpos/

    Filme antigo, mas existe continuação mais recente. Pra quem gosta de ficção científica.

  3. Arquimago permalink
    10/11/2009 2:28 pm

    Muito interessante o cenário!

    E os comentários também são bem relevantes!

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