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Exemplo de atitude numa empresa de RPG

30/03/2010
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Algo que está engatinhando ainda aqui no Brasil é o contato entre empresas que lidam com RPG e clientes. Tem empresa com fórum, empresa que manteve contato através de fórum de terceiros durante muito tempo, twitter ocasional, etc. Mas a coisa está no começo, ainda existe uma divisão de empresa pra lá, jogadores pra cá.

Como eu venho dizendo a tempos, lá fora a situação já está melhor. Depois das várias bobagens que a WotC fez no começo da 4e, o uso de comunidades, blogs, twitters, podcasts e na atitude geral dos empregados (de ‘especialistas em design de games’ para ‘jogadores como eu e você’) mostrou um bom avanço na relação com os clientes.

A White Wolf parece estar indo na mesma direção, prometendo maior interatividade, mais ferramentas para dar suporte aos jogadores (mais detalhes sobre isso nos próximos meses), mais interação com a comunidade (e os freelancers da empresa, que sempre usou deles aos montes, costumam ser bem acessíveis e amigáveis com os jogadores).

A Paizo fez algo similar durante o desenvolvimento do Pathfinder, ouvindo os fãs e corrigindo partes do sistema para que ficasse mais de acordo com os desejos dos jogadores. Isso acabou criando uma expectativa e uma legião de fãs meses antes da versão final do jogo ser terminada.

Isso é importante porque o estabelecimento de uma relação ‘editora + jogador’ é uma boa maneira de manter a comunidade de jogo e incentiva aos clientes a continuarem investindo no hobby. Afinal, se eles sentem que estão sendo ouvidos e que a empresa está se esforçando em produzir o material que eles querem jogar, é mais fácil se convencer que vale a pena comprar o que está sendo produzido.

Agora a editora da Margaret Weis mostrou um bom exemplo dessa relação ‘editora + jogador’. Para quem não conhece, a Margaret Weis Production produz os rpgs de Serenity, Supernatural e, futuramente, Smallville*. Como muitas editoras pequenas lá fora, eles vendem tanto livros em pdf quanto em papel. O sistema base da editora é o Cortex, que é utilizado em diversas ambientações da editora.

A versão em pdf desse sistema estava sendo vendida por 21 dólares, um preço muito alto para um livro em pdf do tipo (em comparação, Pathfinder em pdf custa 10 dólares e tem mais que o dobro de páginas). O dono do RPG Blog II, Zachary Houghton, comentou num post que tinha sugerido a um amigo que experimentasse o sistema mas que ficou surpreso com o preço exagerado do pdf.

NO MESMO DIA, a editora respondeu ao autor que ele estava certo e baixou o preço para $9,99

Isso que é ouvir os clientes. Tomara que mais editoras consigam seguir esse exemplo, não só lá fora mas aqui também. Eu acredito que estamos no caminho certo, com todas as mudanças na Devir no último ano e a atitude geral na Jambô, mas ainda falta para alcançarmos esse patamar de rapidez de resposta e preocupação com os jogadores.

*E sobre Smallville, sim, eu também espero que seja primeiro de abril adiantado.

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8 Comentários leave one →
  1. 30/03/2010 1:03 pm

    A Steve Jackson Games publica seu faturamento anualmente, e sempre procura excelência em seus produtos, pois tem um canal aberto com seus consumidores.

  2. 30/03/2010 2:51 pm

    A publicação de livros em PDF não significa que você vai cobrar um livro por 10 reais. Mas acredito que dependendo do material não passa das casas dos 20,00. Mas o mercado externo já vê o PDF como instrumento comercial do RPG, o brasileiro ainda não. Acredito que vale a pena, apostar nesse mercado, mas a única loja que faz esse tipo de venda no Brasil é a D3 Store, mas ela tem suporte para esse tipo de mercado? Mandei um email pra eles perguntando algumas coisas, até que me responderam, em parte, mas ainda tenho dúvidas nas questões técnicas…

    Apenas uma observação: não estou criticando a D3 Store.

    • cesar/kimble permalink*
      30/03/2010 3:37 pm

      Aqui no Brasil algo que me deixa com pé atrás na venda de pdf é a pirataria generalizada. O pessoal não se importa de piratear tudo e não existe o raciocínio de que se você quer que certo artista/editora/empresa continue a produzir material que você gosta, você precisa investir neles (comprar os produtos).

  3. Arquimago permalink
    30/03/2010 4:09 pm

    Boa atitude espero que venha logo para o Brasil!

    Sobre PDF para mim a questão é simples é só fazer como drive through rpg eu comprei uns livro lá e cada um tinha meu nome e um código em cada pagina e o envio foi bem rápido, assim se alguém piratear as editores tem como saber quem foi que infringiu a lei e tomar as medidas devidas.

    • cesar/kimble permalink*
      31/03/2010 3:28 am

      Mas essa marcação não pode ser editada pra fora com um editor de pdf?

  4. 31/03/2010 3:24 am

    Eu concordo com o Kimble, nós elogiamos o mercado de fora e criticamos em peso o mercado nacional, mas nunca nos preocupamos em “ajudar” as editoras comprando, pelo menos, o livro do jogador, que é o que mais usamos…
    O mercado de cultura e lazer do Brasil é muito sofrido. Aqui todo mundo pirateia até a mãe. Eu também sou de classe média baixa e faço download de muitos livros por não dispor de toda grana que gostaria, mas eu tenho os meus 3 livros básicos de D&D originais. O pessoal aqui é sem noção, não cai a ficha, é foda….
    Se eu fosse duma Jambô ou Devir da vida eu já tinha mandado os pirateadores reclamões tomar no **.

    • cesar/kimble permalink*
      31/03/2010 3:30 am

      É, dizem que Wraith nunca foi publicado no Brasil porque algumas pessoas traduziram e distribuíram o livro gratuitamente antes que a Devir fizesse sua própria tradução. A editora então desistiu, porque não ia investir num livro que as pessoas conseguiam traduzido de graça.

  5. 31/03/2010 11:23 am

    Qualquer livro pode ser traduzido de graça, basta uma única pessoa tiver vontade. O problema da Devir é que ela não quis aproveitar os esforços dos fãs.

    Em relação as “marcas d’água” dos livros em pdf, sim, com alguns softwares vc consegue retirá-las do pdf.

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