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Brincando de Jack Bauer (Splinter Cell: Conviction)

20/04/2010

Primeiro, algo pra deixar claro. Sou fã de SC, então estava esperando um novo jogo da série faz tempo. Principalmente porque achei a versão de PC e Xbox 360 do Splinter Cell: Double Agent bem fraca e queria um novo e BOM jogo pra série.

Splinter Cell: Conviction (SCC) consegue ser um ótimo jogo de stealth e ação, mas diverge bastante do resto da série. Os SC antigos eram sobre ficar nas sombras o máximo de tempo possível, se mover devagar e evitar contato com os inimigos. O novo SC ainda valoriza a furtividade, mas em também valoriza a improvisão, velocidade e a capacidade de derrubar vários oponentes rapidamente.

Ao contrário dos outros jogos onde o protagonista, Sam Fisher, tinha uma grande quantidade de planejamento e equipamentos a disposição, agora ele é um homem sozinho contra um exército de mercenários e uma quantidade mínima de informação e apoio. Não existem mais os mapas detalhados de ambientes, objetivos bem demarcados e todo o apoio da agência para qual ele trabalhava. Ele ainda têm uma boa quantidade de equipamentos especiais, mas a importância deles diminui em relação ao outros jogos, principalmente porque os itens mais úteis (como as munições e itens que permitiam derrubar a distância silenciosamente) não estão mais disponíveis.

Isso está relacionado a história atual da série. Vou evitar os spoilers do jogo atual, mas é impossível explicar o que está acontecendo sem falar do jogo anterior, Double Agent. No Splinter Cell: DA a filha de Fisher morre num acidente de carro. Ela era personagem presente em diversos jogos e uma das coisas que mantinha a humanidade do protagonista. Quando ela morre, Fisher perde o controle. Seu melhor amigo e chefe, Irving Lambert, resolve que a melhor forma de tentar ajudar Fisher é colocar ele como agente infiltrado numa célula terrorista, onde ele teria que se afastar de sua vida pessoal e tentar esquecer o que aconteceu.

As coisas saem fora do esperado e Fisher começa a ter que tomar decisões cada vez mais difíceis para conseguir manter seu disfarce. Para conseguir manter sua identidade falsa ele acaba tendo que executar Lambert. Como explicado no Conviction, ele faz isso porque acreditava na agência do governo para qual trabalhava e isso era necessário para cumprir a missão. Ele termina sua missão e escapa da polícia (já que se tornou um criminoso procurado depois de seus atos durante o jogo), mas passa os três anos seguintes escondido e sofrendo pela morte da filha e pelas coisas que fez enquanto disfarçado.

Conviction começa então com Fisher se escondendo do governo americano e tentando viver em paz. Até que um antigo contato na agência informa que um grupo de mercenários está vindo atrás dele e ajuda Fisher a descobrir que a morte de sua filha pode não ter sido um acidente. Ao longo do jogo ele se envolve com uma grande conspiração governamental que ele tenta impedir, o que lembra bastante séries como 24 Horas e filmes como a triologia Bourne, espionagem com toques de ação.

É possível notar uma diferença grande nas atitudes de Fisher nesse novo jogo. Se antes ele evitava matar e tentava evitar o contato com os inimigos, agora ele é o Jack Bauer. Como um amigo dele explica ao longo do jogo, esse agora é o verdadeiro Fisher, sem as limitações da agência, sem ninguém para responder e com raiva, muita raiva. São anos de sofrimento por ser considerado um criminoso pelo país que sempre defendeu, pelas decisões que tomou na sua última missão e pelas mortes de sua filha e melhor amigo, que ele finalmente deixa escapar nesse novo jogo.

E ele é muito violento. E nisso que ele lembra muito Jack Bauer, com a mesma atitude de fazer o que for necessário e derrubar os oponentes de forma dolorosa e eficiente. As animações dos ataques corpo-a-corpo são baseados em krav maga e systema , sendo muito bem feitas. Elas variam de acordo com a arma sendo usada, a direção que se está em relação ao oponente e mesmo a arma do oponente. A minha preferida é quando ele desarma o oponente usando um braço e depois bate com a pistola duas vezes na traquéia no adversário. Isso que é desarme silencioso.

Para ajudar no processo de derrubar os oponentes foi incluída uma nova mecânica, marcar e executar. Sam pode selecionar oponentes que possa perceber para serem ‘marcados’. Quando ele tem uma linha de visão sem obstruções até eles, Sam pode ‘executar’ os alvos: ele executa uma série de headshots que matam automaticamente. Isso não é uma função ‘auto-win’ porque o número de pessoas a serem marcadas é limitado pela pistola a ser usada e porque o ‘executar’ só pode ser usado depois que Fisher derrubou alguém no corpo-a-corpo. Como não é possível acumular ‘execuções’ (não importa se você derrubou um ou oito adversários seguidos com as mãos, você só pode ter uma função de execução a cada vez) e o número de oponentes continuamente é superior ao número de adversários que podem ser marcados pelas pistolas, tentar se aproximar furtivamente dos adversários e derrubar rapidamente ainda é uma atividade comum.

Outra diferença importante na mecânica do jogo é a velocidade do personagem. Se nos jogos anteriores Sam ficava muito tempo parado ou andando devagar (e no DA ele parecia uma velhinha), agora ele está sempre se movendo. O número de áreas escuras é reduzido, então usar de coberturas e ficar se movendo é importante para ficar fora da visão dos adversários. Fisher está muito mais ágil e se move com mais facilidade, como um agente treinado deveria conseguir. Ele desliza pelo chão, pula sobre mesas e escala com facilidade. A impressão que dá é que esses anos em exílio fizeram muito bem pro Sam.

Isso tudo muda bastante o estilo de jogo do SC. Continua um jogo de stealth e continua sendo mais realista do que a maioria dos concorrentes (tão realista quando um filme de ação como os de Jason Bourne, claro). A história está melhor (e menos confusa que os jogos anteriores) e a inclusão de mais momentos de ação dão um ritmo ótimo pro jogo.

Os problemas do jogo foram dois pra mim. Primeiro, o jogo no single player é curto. Eles incluíram uma campanha de co-op que ainda não pude jogar, mas só tenho ouvido falar bem e pode ser jogada em split screen. Também incluíram uma série de joguinhos pra disputa online, então pra quem tem acesso a Live vai poder tirar mais do SCC. Pra quem gosta de SC o jogo pode ser jogado várias vezes devido a boa construção dos ambientes, que permitem que uma mesma situação seja resolvida de diversas formas.

Segundo, a história do jogo usa bastante do modelo de construção em torno de cenas, o que é bom quando as coisas funcionam direito e ruim quando elas saem do script.

Explicando rapidamente, existem várias formas de escrever uma história. Esse modelo que gira em torno de cenas emprega uma história maior, o plot principal, e cenas menores, ao longo da história e que são o objetivo em si. Elas estão lá por serem legais e não necessariamente por serem lógicas ou necessárias. Isso é uma prática comum em filmes de ação e que eles também usam no jogo. Usando um exemplo do SCC e tentando evitar o spoiler, num determinado ponto você precisa correr atrás de um atirador que está fugindo no meio de uma multidão. Se você consegue correr atrás dele durante toda a perseguição, sem parar, a cena funciona perfeitamente. Se em algum ponto você se perde dele, o atirador parece esperar que Sam volte a se aproximar para continuar a correr. Isso ocorre de forma similar em mais alguns pontos no jogo. Como falei, quando as coisas funcionam esse tipo de cena se torna cinematográfico e ótimo. Quando falham, gera alguma estranheza.

Ao contrário de algumas reclamações não dá para jogar SCC como shooter. Ignore esses comentários, isso é de gente que joga uma hora ou menos do jogo e quer dar opinião sobre o negócio (e infelizmente, idiotas que querem criticar tudo são algo comum na internet). Os oponentes tentam flanquear, usam cover, arremessam granadas e costumam estar em número bem maior. Ficar parado e trocar tiros com alguém é perigoso. Existem momentos em que é impossível evitar o tiroteio no jogo, mas como ele é construído em torno de cenas (como expliquei ali em cima) nessas situações as coisas são modificadas para facilitar a vida do jogador (os oponentes não flanqueiam, raramente jogam granadas, etc.).

Outra reclamação comum são as diferenças no estilo de arte do jogo. As pessoas parecem mais com personagens de filme de ação, mas não tem ninguém excessivamente anabolizado ou irreal. Quando Sam está escondido no escuro a cor da imagem muda de colorida para preto-e-branco, mas isso não é algo que incomode realmente (e na minha opinião, uma forma melhor de marcar a transição de luz e sombra do que as três luzes do Splinter Cell DA ou as barrinhas dos SCs antigos).

Para quem está acostumado com a série Splinter Cell é bom começar já no nível de dificuldade mais alto. Fechei no médio já, agora estou tentando no difícil e está mais divertido. Para quem não está acostumado, começa no médio e brinca um pouco. Quando já estiver mais acostumado, tenta o difícil.

Resumindo, Splinter Cell: Conviction é um ótimo jogo de stealth e ação que, apesar de curto, vale a pena jogar. Quem é fã da série (e consegue aceitar mudanças) pode comemorar. Se essa é a direção da série daqui em diante, Splinter Cell tem um futuro promissor pela frente.

Sei que isso me deu ainda mais vontade de jogar algum rpg de espionagem e ação. Quem sabe ainda não faço uma campanha de Shadowrun baseado nos conceitos principais de SC?

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