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Pet Sematary, dungeon tiles e jogos mainstream

27/04/2010

Lista de coisas que ando fazendo, pretendo fazer e comentários gerais. Leve rant.

Finalmente terminei Pet Sematary, de Stephen King. Vou segurar os spoilers pra preservar quem quiser ler o livro depois.

O livro trata sobre a existência de coisas sobrenaturais e desconhecidas ‘fora da civilização’, escondidas ainda em locais isolados e esperando por vítimas ignorantes. E sobre as escolhas que fazemos ou acreditamos fazer. Tudo se passa numa região interiorana, onde um pai de família descobre um cemitério que permite ressuscitar criaturas enterradas nele. Como é terror, existe um custo para isso.

O desenvolvimento das cenas é bem feito, apesar de não ser difícil imaginar como as coisas vão continuar. A qualidade do livro está na habilidade de descrição do autor, que consegue repassar muito bem as sensações do protagonista. Principalmente quando ele começa a cair no desespero, perde o controle de suas ações ou começa a enlouquecer. Sendo King acaba por ter seus exageros em alguns pontos, mas vale a pena. Quero ler o The Stand ou aquele do telefone celular agora, só que provavelmente vou tentar ler algo de outro autor antes.

Comprei mais alguns dungeons tiles. Ainda na Toca Revistaria , consegui achar alguns tiles baratos lá e comprei o que eles tinham. Só faltam as miniaturas, mas isso vai demorar um pouco pra chegar ainda.

Algo que consegui comprovar foi como é melhor ter várias cópias do mesmo set. Estou com dois do Caves of Carnage e dois do Sinister Woods. Fica mais fácil montar áreas grandes, incluir mais opções e fazer as coisas como se quer.

Notei também que um amigo (que já tem mais experiência com os tiles) estava certo em sua observação sobre o material: é divertido brincar de montar cenários com eles. Mesmo só com os sets que eu tenho, é divertido ficar montando pedaços de uma floresta ou a área de uma caverna. Quero experimentar eles em jogo logo que puder.

Tentando escolher alguma coisa mais de rpg pra encomendar na Amazon. Atualmente a única coisa que tenho realmente vontade de ter é o Shadowrun novo. Exalted eu já tenho o kit básico (livros da maioria dos tipos de exalteds), D&D eu só devo comprar o Dark Sun esse ano (e vai levar alguns meses pro livro sair) já que quase todo o resto eu consigo com o Insider. De WoD, comprei Mago em português já e o único outro livro que também me interessa, Changeling, já está em tradução. M&M tem algumas coisas legais que eu ainda não tenho, mas já comprei bastante livro da linha na última vez. De repente o Silver Age.

Talvez a falta do que escolher seja porque nesses últimos meses não saiu nada de grande interesse no ‘mainstream’ do rpg (sistemas conhecidos, editoras maiores, autores famosos) e costumo evitar as sistemas/cenários alternativos. Muitas experiências ruins me ensinaram a só recorrer a coisas alternativas se elas forem muito bem recomendadas (e por jogadores de verdade, de preferência).

Usando um exemplo mainstream pra não parecer que estou batendo nos rpgs/editoras menores, é algo que me ocorreu ao ler Promethean da White Wolf. O jogo pertence a uma editora mainstream, só que fazia parte de uma das séries alternativas da White Wolf, tendo uma quantidade limitada de livros (como Scion, inicialmente). Em Promethean você um Frankstein moderno, um golem que está numa busca para tentar se tornar humano. O conceito é ótimo, ele dá a impressão de ser um jogo com grande potencial de cenas dramáticas.

Até você cair no sistema de regras. Os golens precisam viajar constantemente, pois sua presença corrompe o ambiente à sua volta e perturba as pessoas a ponto de provocar atos de violência e loucura. Além disso, a busca pela obtenção da humanidade é feita através de uma série de objetivos menores e desafios que o mestre deve colocar ao longo da história para os personagens enfrentarem. O problema desse modelo é que ele é dependente demais das opiniões pessoais do jogador e do narrador.

Exemplo: Um narrador resolve fazer um destes desafios envolvendo compaixão. Ele decide que irá colocar uma pessoa sofrendo na frente do jogador, um doente terminal com algo incurável. Na mente do narrador, o personagem tem que encerrar a dor da pessoa para ser bem sucedido na situação. Aí entra a questão da percepção individual e das opiniões dos envolvidos. O narrador neste caso acredita em eutanásia e que matar o enfermo seria uma forma válida de encerrar o sofrimento e uma demonstração de compaixão.
Se o jogador concordar com ele, a cena funciona e ele passa no teste. Se ele discorda, aí entra o problema. Se o jogador não considera a morte do paciente um ato de compaixão, seja qual for o motivo, ele desvia da proposta inicial do teste e falha nele.

E este é um exemplo usando de uma situação extrema. Mesmo situações mais simples podem gerar um conflito entre os conceitos de um narrador e seus jogadores. Quando se trata de coisas tão pessoais como ‘a busca pela humanidade’, é claro que pessoas diferentes podem demonstrar opiniões diferenciadas sobre vários assuntos. E o jogador não deveria ser punido só porque discorda do mestre nesses pontos de vista.

E isso que não entramos em outros problemas desse modelo, como a dificuldade em montar uma série de desafios individuais para um grupo de quatro a cinco jogadores que se encaixem numa história maior, por exemplo.

Usando um exemplo brasileiro, o jogo Imortal. Ele tinha um conceito interessante, mesmo que obviamente copiado. Os personagens jogavam com personagens imortais similares a Highlander, que adquiriam poderes sobrenaturais, podiam viver eternamente e adquiriam poder matando outros imortais. Não gosto do sistema Daemon utilizado pelo livro, quero deixar claro isso. Entretanto, meu problema com o jogo não era o sistema utilizado, mas a falha na ambientação.

A ambientação era uma mistura de Highlander com Mundo das Trevas, com imortais lutando entre si por mais poder enquanto manipulavam a humanidade nos intervalos. E aí surge a falha. Se os imortais lutam entre si continuamente por poder, porque um bando de personagens-jogadores resolveu se reunir? É possível forçar alguns motivos (inimigo mais poderoso, mesmo mestre, etc.) mas considerando a importância dos combates como forma de aquisição de poder entre eles e que inevitavelmente terão que lutar (o jogo tem até seu próprio Gathering, só que aqui eles chamam de Ragnarok), não faz sentido.

Sem contar o sistema de combate repetitivo e previsível. Se o combate é tão importante para o cenário, ele precisa ter um sistema de emocionante. Tem gente que acusa 4e e outros sistemas similares de serem muito próximos de videogame por se concentrarem demais no combate e, consequentemente, isso ser um erro por serem incapazes de atrair a atenção tanto quanto um jogo eletrônico.

Sinceramente, o que me faz considerar desistir de um rpg e ir jogar videogame é um sistema como o de Imortal, onde o combate se limita a ficar rolando os mesmos dados sem parar até alguém cair.

RPGs mainstream costumam ter maior preocupação com coesão, coerência e ‘jogabilidade’. Não adianta ter um conceito legal, é preciso ter um conceito que possa ser jogado. E eu sempre tive a impressão que muitos desses jogos alternativos (de editoras pequenas ou grandes) muitas vezes falham nesses pontos. Se meu interesse fosse um jogo para aventuras isoladas (‘one shots’), sem uma campanha, tudo bem. Se eu fosse um teórico que adora colecionar coisas que nunca vou jogar (porque, sendo sincero, esse tipo de rpgista raramente joga alguma coisa), tudo bem.

Já pra gente como eu, que realmente jogo rpg (e não fico só filosofando enquanto meus livros pegam pó), de participar de campanhas e de desenvolver uma história, jogos mainstream costumam ser uma opção melhor.

Pra não terminar num tom agressivo, próxima sessão deve ser de Vampiro, Requiem for Rome. Acho que semana que vem ou na outra, tenho que ver como vão ficar as coisas ainda. Jogadores da campanha que leiam isso aqui, não esqueçam de avisar caso queiram trocar de personagem ou fazer alguma alteração nos atuais até lá. Logo que eu tiver o dia certo, aviso.

5 Comentários leave one →
  1. Thiago Prietto permalink
    28/04/2010 2:09 am

    Pois é kimble, veja só como são as coisas, achei o Pet Sematary (Cemitério Maldito, título em português) muito ruim.
    Sei lá, concordo contigo em relação às descrições do personagem principal, mas o livro em geral é um terror meio cafona, filme b, e um tanto previsível. É um ponto devista bem pessoal, mas me chamou atenção o fato de você ter mencionado o livro bem no iníco do post.

    Mas esse do celular que você mencionou eu não li.

    • 28/04/2010 3:07 am

      Eu diria mais que o o estilo de terror é antiquado, bem anos 80. O que faz sentido, se a gente parar pra pensar que ele foi escrito nos anos 80. E eu tenho que admitir que gosto de um filminho de terror B ocasional, então😛
      Esse do celular é o Cell (não sei como ficou em português). Uma transmissão de origem desconhecida transmitida através dos celulares pelo mundo todo faz com que seus usuários se tornem assassinos descontrolados. É o tradicional ‘mundo tomado por zumbis’ só que versão Stephen King. Como eu adoro filmes de zumbis (e não consigo explicar porquê) é um que eu quero ler.

  2. Arquimago permalink
    28/04/2010 1:23 pm

    Poderia rolar um artigo sobre isso de mainstream X jogos independentes.

    • cesar/kimble permalink*
      28/04/2010 1:35 pm

      De repente eu escrevo isso mais pra frente. Meu problema com esses alternativos é que existe muito uma atitude ‘oba oba’ só porque é alternativo, sem considerar se o jogo é realmente bom, a mecânica funciona ou é possível jogar mais do que one shots com eles. Vamos ver😉

  3. 02/07/2010 4:27 pm

    eu gotei

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