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Uma explicação para as demissões na Wizards

11/05/2010

Não é uma explicação oficial. Só que é uma análise do modelo de trabalho utilizado em empresas como a Wizards hoje em dia e parece fazer sentido. Foi tirado daqui, uma discussão sobre as demissões no En World.

A explicação seria que o modelo atual de administração na Wizards é ‘por projetos’. Em vez de trabalho fixo, os empregados são distribuídos em grupos de trabalho de acordo com o projeto em que irão trabalhar. Algo como:

Adm 1: Certo, vamos trabalhar com Dark Sun. Quem vamos escolher?
Adm 2: Pega esse cara aqui pra escrever o básico do livro (nota do kimble: ‘pessoa A’). Pega aquele ali pra escrever a parte dos feats, ele teve umas idéias boas no último livro que escreveu (‘pessoa B’). Pega aqueles dois ali pra fazer os monstros (‘pessoas C e D’). Quer alguém pra fazer uns desenhos?
Adm 1: Quero. Mas alguém mais pra Brom, sabe?
Adm 2: Tenho alguém (‘pessoa E’), só deixa ver se ele já terminou o projeto atual dele.

Num mundo perfeito, as pessoas trabalham num projeto até o seu fim e então são remanejadas para o próximo projeto. Isso faz com que as empregados estejam sempre trabalhando em coisas novas (o que evita a monotonia) e formando equipes diferentes (o que ajuda a evitar a repetição de idéias e promove inovação).

No mundo real e (principalmente) em empresas grandes e com facilidade de repor pessoal, as coisas são um pouco diferentes.

Adm 1: Certo, terminamos o trabalho em DS. O que fazemos com as pessoas que participaram do projeto.
Adm 2: Esse cara aqui eu vou querer que trabalhe numa nova coluna da Dragon Magazine (‘pessoa A’). Esse aqui eu vou colocar no próximo projeto de boardgame (‘pessoa B’). Esse eu vou precisar pro DMG 4 (‘pessoa C’).
Adm 1: Certo. Faltaram essas duas pessoas (‘pessoas D e E’). O que fazemos com elas?
Adm 2: Eu não vejo onde colocar elas nos próximos meses. Não tem nenhum projeto grande em espera. Demite.
Adm 1: Certo. Ainda bem que a maioria dos caras que contratamos estão aqui são ‘at will’ (nota do kimble: modelo americano que permite que pessoas sejam demitidas ou se demitam sem explicação legal ou penalização para qualquer uma das partes, mesmo que não exista justificativa para a demissão) ou freelancer.
Adm 2: É isso aí. *high five*

Esse é modelo que permite deixar os custos baixos, só que aumenta muito a rotatividade da empresa. Considerando o tamanho da Hasbro e que esse modelo é bem comum em empresas do tipo em economias muito agressivas, acredito que seja uma boa explicação. Ainda mais considerando que essas rodadas de demissões/saída de funcionários começaram anos atrás, ainda na época da 3e (como a saída do Monte Cook um ano após o lançamento da edição) e que a Wizards não tem problemas pra repor pessoal. Mesmo tendo noção que podem ser demitidos em poucos meses, ter no currículo um período na WotC (e melhor ainda, a possibilidade de um ou mais livros lançados) é algo que muitos game designers iniciantes querem.

O problema é que, com o tempo, isso vai prejudicando cada vez mais a empresa, pois os empregados tem mais dificuldade de se apegar ao trabalho e a organização. Em algum ponto eles vão ter que mudar isso ou vão acabar ficando só com uma porrada de designers sem experiência e sem muito domínio do jogo para cuidar do sistema. Isso pode trazer alguma novidade interessante ou reformulação boa para o sistema ocasionalmente, mas também pode levar a escolhas horríveis de design. Vamos ver em que direção as coisas vão.

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3 Comentários leave one →
  1. Urathander permalink
    12/05/2010 3:35 am

    Monte Cook saiu da empresa não foi demitido, ele mesmo postou isso no EN World na época da última leva de demissões.

    Ainda com base na própria mensagem do Monte Cook, não acho que seja bem por aí, ele estava bem azedo no referido comentário, e até perplexo com a demissão de um dos autores, esqueci o nome acho que era alguma coisa Tweed.

    Por fim, até onde eu sei nenhum dos times criativos da WotC dos últimos anos era composto por iniciantes que substituíram os mais experientes demitidos.

    • cesar/kimble permalink*
      12/05/2010 12:23 pm

      “Monte Cook saiu da empresa não foi demitido, ele mesmo postou isso no EN World na época da última leva de demissões.”

      Por isso que eu falei ‘rodada de demissões/saída de funcionários’ em vez de só ‘demissões’. Parece ser a mesma situação do Pramas e (espero) do Collins, ficou lá enquanto achava que era interessante (acumular algum status, lançar algum material com a marca de uma empresa grande) mas quando surgiu uma oportunidade melhor (criar sua própria empresa) ele pulou fora para não ficar nesse sistema de alta rotatividade.

      “Ainda com base na própria mensagem do Monte Cook, não acho que seja bem por aí, ele estava bem azedo no referido comentário, e até perplexo com a demissão de um dos autores, esqueci o nome acho que era alguma coisa Tweed.”

      Ele já criticou essas atitudes da Wizards algumas vezes. Esse sistema tende a gerar antipatia e raiva por parte dos funcionários, exatamente porque eles se sentem tratados como ferramentas e não pessoas. Aliás, ele não é o único ex-funcionário da WotC com raiva da empresa.

      “Por fim, até onde eu sei nenhum dos times criativos da WotC dos últimos anos era composto por iniciantes que substituíram os mais experientes demitidos.”

      Na verdade uma reclamação comum que já vi pelos fóruns de lá é a quantidade de freelancer que eles colocam pra escrever material. E o Schaefer, por exemplo, parece ser o mesmo caso do Collins só que com menos tempo de casa. Não consegui encontrar quando ele foi admitido na WotC, mas na página pessoal dele uma das coisas que ele afirma ter orgulho de ter participado foi o livro dos Lunares, segunda edição, de Exalted (aliás, ótimo livro). Esse livro foi produzido pela WW em 2007, então ele deve ter entrado na WotC entre 2007-2009 (considerando que tem livros na WW com participação dele ainda sendo lançados em 2008). Nesse período ele participou da produção de livros como o Player´s Handbook 2 e artigos do Insider, por exemplo. Ele foi um dos que se demitiu antes de ser demitido, mas a disposição do pessoal em pular fora do barco tão rápido depois de ter algum material publicado (e assim conseguir o achievement ‘trabalhou na Wizards’ no currículo) reforça a idéia que a sensação de inseguraça e alta rotatividade são comuns na empresa.

      Aliás, tenho que agradecer teu comentário em especial porque ele me ajudou a encontrar um tópico com o Chris Sims falando exatamente sobre esse tipo de coisa. É do final do ano passado, vou ver se traduzo e disponibilizo depois.

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