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L5R 4e e a nova campanha

25/01/2012
L5R3

Desde de a última vez que escrevi no blog, bastante coisa aconteceu. Viajei mais um pouco, conheci mais alguns jogos, mestrei alguns novos sistemas. Já que estou com vontade de escrever hoje, resolvi comentar sobre a campanha de L5R 4e que comecei faz pouco tempo.

Para quem não conhece Legend of the Five Rings, ele é um cenário de fantasia que se baseia na mitologia do Japão, China e outros países da região. A sociedade é inspirada no Japão na época dos samurais, no modelo mais próximo do ‘guerreiro nobre’ que normalmente vemos nos filmes.

O cenário possui um cardgame, uma linha de rpg e produtos menores, como linhas de romances ou jogos de tabuleiro. Tradicionalmente, tanto o cardgame quanto a linha de rpg representavam sempre o período mais atual da história do cenário, acompanhando e influenciando o mundo através de eventos organizados pela empresa proprietária da marca, a AEG.

Até a 4e do rpg, quando foi decidido mudar o foco do rpg. Em vez de tentar simular o período atual do cenário, o jogo tenta apresentar uma versão de Rokugan (o mundo de L5R) não apegada a qualquer período histórico. Isso facilita o trabalho de Mestres que querem fazer suas campanhas em pontos anteriores na história, pois não se apega a detalhes de algum período ou limita as escolhas dos jogadores de acordo com os acontecimentos atuais.

A edição consegue fazer isso com sucesso no sistema, não tanto na ambientação. Eu mestrei durante muito tempo uma campanha de L5R usando a 3e do jogo e percebo várias melhorias no sistema em relação ao anterior. Está mais difícil acumular bônus, os personagens tem menos detalhes e regras específicas que precisam ser lembradas e o sistema está mais coeso, com menos exceções mecânicas espalhadas ao longo do texto.

Ele não é tão bem sucedido na descrição do cenário. O livro básico fala muito pouco sobre os clãs, se concentrando mais em detalhes gerais do cenário, como crenças, costumes e tradições. Isso é importante, mas um ponto essencial do cenário sempre foram os clãs e a profundidade que eles possuem em sua história e características. Ao tentar ser mais genérico e não se apegar a qualquer era, o livro básico sacrifica muito do detalhamento dos clãs. Isso prejudica bastante o material descritivo.

Além disso, o livro básico sofre de outro problema que prejudica sua qualidade. A AEG sempre mantém um grupo de escritores dedicados a trabalhar com o cenário, criando novos enredos, personagens e arcos de histórias. E eles também acabam trabalhando em outras áreas, como o desenvolvimento da linha de rpgs. Os fãs chamam esse grupo de escritores de Story Team.

E o Story Team atual de L5R é o pior que o jogo já teve (YMMV). Como todo livro básico de linha de rpg, ele possui textos falando sobre como construir aventuras e campanhas em Rokugan. A qualidade desses textos varia muito. E a aventura exemplo no final do livro, deve ser uma das piores que eu já li em qualquer edição de L5R. Eu cheguei a usar o conceito inicial dela para a primeira sessão, mas tive que mudar muita coisa.

Como eu prefiro os arcos de histórias mais antigos e já tinha bastante conhecimento para mestrar uma campanha de L5R, esses fatores acabaram não me atrapalhando. Para o pessoal que se interessar em mestrar, aconselho a ler as dicas para Mestres em edições anteriores. Quanto a aprofundar a ambientação, L5R tem uma vantagem importante em relação a outros cenários com muito material descritivo: a maioria das histórias já escritas para o cenário estão disponíveis de graça, no site Kaze no Shiro. Além disso, os fãs do cenário criaram vários wikis que detalham o cenário. Eu costumo usar esse aqui.

Quanto a campanha, estou mestrando algo com uma idéia simples: os jogadores são magistrados de uma cidade importante no território dos Fênixs. Ao contrário da tradição, eles são de vários clãs como parte de um acordo para dividir parte do controle da cidade, que vive sendo disputada por vários clãs devido a ser o local onde está o túmulo de um imperador.

Até agora tivemos duas sessões. Estou tentando manter as histórias simples e deixando que a profundidade surja naturalmente durante o jogo, de acordo com as ações dos jogadores e as reações do NPCs. As coisas tem funcionado bem nesse sentido, pois os próprios pjs vão criando novos problemas e adicionando camadas de complexidade com suas ações sem perceber.

Na primeira sessão, parte do grupo chegou a cidade e participou de uma comemoração no castelo do Daimyo local. O evento era um torneio de samurais, mas para a surpresa dos pjs ele envolvia competições não-marciais, como cerimônia do chá e pintura. Em paralelo, os pjs conheceram os NPCs importantes e descobriram o corpo de um servo escondido nos jardins do castelo. Investigando a situação com magia, os personagens descobrem que ele foi morto pela esposa do Daimyo. Em Rokugan isso não seria um crime, devido a posição social da samurai-ko. O que surpreendeu os personagens foi a forma que isso ocorreu. A magia mostrou que os dois discutiram antes do assassinato e o servo parecia estar reprovando as atitudes de sua senhora. Ao se virar para ir embora, ele foi atacado pela samurai-ko, que o apunhalou pelas costas. Isso não faz sentido, pois se ela desejava a morte do serviçal bastava ter dado a ordem para os guardas do castelo.

Isso fez os personagens desconfiarem do motivo da discussão entre os dois. Relembrando fatos que haviam ocorrido anteriormente, eles passaram a acreditar que a esposa do Daimyo talvez tenha um relacionamento secreto com o chefe dos Magistrados Esmeralda da região, um duelista do clã Dragão. Isso parece ter se confirmado quando o shugenja do grupo viu a imagem do duelista presenciando o crime, escondido atrás de uma das árvores do jardim.

Os guardas do castelo iniciaram sua própria investigação depois de avisados pelos pjs. No dia seguinte os personagens conversaram com o Daimyo, que assegurou que a morte havia sido investigada e que eles não foram capazes de descobrir quem matou o servo. Sendo que o Daimyo é um shugenja poderoso e que seria capaz de usar de magia para descobrir o assassino, os pjs perceberam que o melhor seria fingir concordar com ele e evitar desonras ou repreensões.

Na segunda sessão os personagens foram mandados lidar com um grupo de contrabandistas nos arredores da cidade. Os samurais lidaram com os criminosos e apreenderam as mercadorias de contrabando: ópio, armas e veneno. Este último foi o que mais chamou a atenção do grupo, levando a investigações sobre seus efeitos. Foi descoberto que ele é de um tipo que não mata a vítima, mas que causa dores horríveis e incapacitação. Ele também parecia ter sido alterado para diminuir sua potência.

Enquanto parte do grupo começou a investigar uma conspiração, o samurai Escorpião do grupo foi chamado pela representante de seu clã na cidade para uma conversa. Ela explica como o veneno era para a esposa do Daimyo, para lidar com um ‘problema’ criado por um relacionamento extra-conjugal. E que agora alguém precisava recuperar pelo menos algumas amostras do veneno, para lidar com o problema. O Escorpião se oferece e recupera parte do veneno sem ser visto.

A sessão terminou com os personagens sendo avisados que parte do veneno havia sido roubado e que ele havia sido usado na esposa do Daimyo. As consequências disso serão descobertas na próxima sessão.

2 Comentários leave one →
  1. 01/02/2012 4:53 am

    Bem interessante.

    É bacana pensar em histórias mais sociais e investigativas com samurais. Quando se fala no assunto, a primeira coisa que vem à mente são as batalhas e duelos.

    Acho que os meus jogadores costumam ser o tipo “Blade of the Immortal”, então não curtiriam este tipo de história (ou colocariam tudo a perder fácil fácil). hahaha

    Gostei da análise das edições. Realmente conheço pouco sobre L5R.

    Um jogo da AEG que estou pensando em narrar é o 7º Mar (recentemente traduzido por fãs brasileiros).

  2. Fernando Hax permalink
    14/02/2012 7:40 pm

    A terceira edição foi traduzida por um fã, mas conheci através do Aventuras Orientais. Confesso que me tornei um fã do cenário, embora nunca tenha jogado e nem pense em utilizar o sistema do L5R pois sou fã-nático pelo D20 System com todas as suas imperfeições.

    Primeiro tenho que dizer: faz bem em postar! Gostei de ler suas aventuras e a forma que sua campanha está tomando! Continue seus posts desta campanha para sabermos o rumo dela.

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