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Recapitulando a campanha de L5R

03/04/2012
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l5r

Conversando com os jogadores, decidimos nos organizar da seguinte forma para os jogos que eu mestro: vou fazer sempre arcos de histórias, com duas ou três sessões cada. Jogamos um arco inteiro num sistema e então jogamos um arco inteiro no outro. E vamos revezando as campanhas assim.

Como acabamos de terminar o arco de Marvel RPG, agora é a vez de L5R.

Vou seguir o modelo que usei no primeiro arco. Em vez de escrever um grande plot que eles viveriam ao longo de várias aventuras, preferi construir a ficha dos NPCs com históricos um pouco mais detalhados (em torno de 10 linhas cada) e listar os objetivos individuais de cada um e possíveis plots que eles poderiam gerar.

Antes de cada sessão, eu escolhia alguns NPCs que eu queria usar mais e fazia com que eles tomassem algumas atitudes para tentar alcançar seus objetivos. Os plots de diferentes NPCs às vezes entravam em conflito, às vezes faziam com que trabalhassem em conjunto e algumas vezes, não tinham nenhuma relação um com o outro.

Isso foi gerando uma teia de relações, com os PCs tendo que tomar decisões importantes sobre como iam afetar esses relacionamentos. Eu dava alguns empurrões para fazer o começo da história andar, mas então deixava solto e tentava fazer com que todas as ações fossem consequências lógicas das ações do PCs e dos NPCs.

A primeira sessão foi com os PCs chegando a cidade de Pale Oak Castle, no território do clã da Fênix. Devido a vários problemas com o clã vizinho, os Dragões, e a importância religiosa da cidade, o Daimyo da região decidiu que os magistrados da cidade não seriam exclusivamente do clã da Fênix.

Assim, os personagens (uma shugenja do clã Leão, uma bushi do clã Unicórnio, um bushi do clã Escorpião, um bushi do clã Caranguejo e um monge tatuado dos Dragões) ganharam a posição de magistrados na cidade.

Nesta primeira sessão eles lidaram com um evento promovido pelo daimyo, envolvendo uma série de atividades artísticas. Em paralelo, eles começaram a conviver com os NPCs da cidade. Próximo do fim do evento eles descobriram que a esposa do daimyo havia assassinado um servo nos jardins do palácio, sem explicação. Isso havia sido testemunhado pelo líder dos magistrados esmeralda da região, que escolheu fingir que não havia visto nada.

O daimyo, que é um shugenja poderoso, conversou com os personagens sobre o que eles sabiam sobre a morte do servo. Ele sabia o que havia acontecido (graças a uso de magia) e sabia que os personagens também tinham conhecimento disso. Os personagens preferiram mentir, dizendo não saber de nada e mostrando seu respeito e discrição num assunto desse tipo.

E foi então que a situação ficou mais complicada, quando depois de observar algumas trocas de olhares na corte e atitudes que chamaram a atenção, eles perceberam que a esposa do daimyo e o líder dos magistrados pareciam ser amantes. A primeira sessão terminou com o grupo tendo conhecido os NPCs do local e aprendido alguns dos segredos que eles guardavam.

Na segunda sessão os personagens foram mandados para lidar com um bando de ronins que estavam fazendo contrabando. Depois de prender os responsáveis, eles descobriram que o bando estava trazendo armas, ópio e um tipo raro de veneno para a cidade.

Eu imaginei que eles iam se focar no veneno, mas eles se preocuparam muito mais com o ópio e as armas. Logo surgiu a idéia que tudo isso poderia ser parte de uma conspiração para tomar o controle da cidade. Eles entregaram o veneno para a samuraiko responsável pela proteção do castelo e foram tentar descobrir mais sobre a ‘conspiração’.

Enquanto os personagens investigavam essa possibilidade, uma courtier do clã Escorpião pediu ajuda ao PC do mesmo clã, para conseguir recuperar o veneno que havia sido pego. Ela explicou para o personagem-jogador que o veneno havia sido requisitado por uma pessoa na corte.

O PC Escorpião (que na verdade era um ninja) invadiu a casa do servo que estava estudando os venenos e roubou as amostras que estavam lá. A courtier cuidou para que o produto fosse entregue ao castelo.

Os outros personagens começaram a desconfiar da Escorpiã, o que levou a algumas conversas na casa de chá que ela possui.

A segunda sessão terminou com os personagens descobrindo que parte do veneno que haviam apreendido tinha sido roubado e com a notícia que a esposa do daimyo havia sido envenenada.

A terceira sessão começou com os personagens indo visitar o daimyo no castelo e descobrindo que sua esposa havia sobrevivido. E que o filho que ela estava esperando também havia sobrevivido. Os personagens se prontificaram a descobrir quem era o culpado.

Eles decidiram ir atrás da courtier Escorpião. E ela desviou a atenção dos personagens contando que a embaixadora do clã Spider na cidade estava reunindo ronins numa vila próxima da cidade. Os personagens investigam essa informação e descobrem que ela é verdadeira: um grupo de ronins estava sendo reunido nos arredores da cidade. A descoberta acaba levando a um confronto e a prisão com os ronins.

Retornando a cidade, as investigações dos personagens revelam que uma serva que havia cuidado da esposa do daimyo desde pequena, havia desaparecido logo após os envenenamento. A samuraiko do clã Unicórnio resolve procurar a serva na única estrada que sai da cidade.

A Unicórnio encontra a serviçal primeiro e descobre sobre o plano: a guardiã do castelo havia contado para ela que a esposa do daimyo estava esperando o filho de outra pessoa. Para limpar a honra de sua senhora, a serva havia tentado usar um veneno para provocar um aborto, que lhe havia sido entregue pela guardiã do castelo. O plano falhou e ela estava tentando escapar.

A samuraiko demonstra compaixão e deixa a serva ir embora. Retornando a cidade, o grupo decide o que fazer com todas essas informações. Acreditando que a ameaça maior para a cidade é a embaixadora do clã Spider, eles provocam um duelo entre ela e o líder dos magistrados esmeralda. O Dragão vence, matando a embaixadora durante o processo.

A terceira sessão (e esse arco) terminou com os personagens recebendo um agradecimento pelos seus trabalhos, a proibição da entrada de membros do clã Spider na região por vários anos e o anúncio do casamento entre a guardiã do castelo e o líder dos magistrados esmeralda.

Esse foi o primeiro arco de histórias. A descrição acima foi a história pelos olhos dos personagens, com as informações que a maioria deles tem do que aconteceu. O que realmente estava acontecendo entre uma intriga e outra (algumas informações abaixo podem ser spoilers para os jogadores da campanha, então estejam avisados):
a) A esposa do daimyo e o líder dos magistrados esmeralda estavam mesmo tendo um relacionamento. Essa relação acabou levando a uma gravidez inesperada. O daimyo sabia disso, mas para evitar desonra e não entrar em conflito com os magistrados esmeralda, estava tentando lidar com a situação sem deixar que a história toda fosse revelada;
b) A guardiã do castelo era amiga de infância da esposa do daimyo. Foi ela quem entrou em contato com a courtier e pediu o veneno para provocar o aborto. O plano todo deu errado, quando os personagens resolveram se intrometer. O veneno acabou sendo contaminado com impurezas depois de tantos imprevistos e em vez de alcançar o efeito desejado, quase matou a esposa do daimyo;
c) A Escorpiã percebeu que os PCs estavam se aproximando demais dela e resolveu tentar convencer o grupo que outra pessoa era uma ameaça. A embaixadora realmente era alguém perigosa, mas no momento não estava planejando algo que prejudicasse a cidade;
d) O daimyo declarou a situação como encerrada, mesmo sabendo que a embaixadora foi morta por uma conspiração que não existia e que os verdadeiros culpados pelo caos e os problemas ocorridos na cidade (sua esposa e o líder dos magistrados esmeralda pelo seu caso extraconjugal, a guardiã do castelo pelo envenamento, ele mesmo por continuar a acobertar tudo) não haviam pago pelos seus erros;
e) O casamento forçado entre a guardiã e o líder do magistrados é só mais uma tentativa do daimyo em tentar resolver seu problema com a esposa.

O próximo arco deve ser sobre o casamento e as consequências dele pra cidade. Pretendo continuar seguindo o mesmo modelo de criar necessidades para cada NPC e ver como eles acabam gerando plots para os personagens explorarem. Olhando agora o resultado final desse último, parece ter sido um resultado muito bom.

3 Comentários leave one →
  1. Youkai X permalink
    03/04/2012 7:25 pm

    ficou bem legal o resumo da campanha de L5R. Altas intrigas e objetivos paralelos dos NPCs. E o aborto teria dado certo se não fossem esses malditos PCs e seu cachorro!

  2. Ulfasso permalink
    15/05/2012 1:26 pm

    Muito legal esse relato de campanha! Mal posso esperar pelo próximo =]
    Como está funcionando esse sistema de arco de histórias? Eu pretendo fazer algo parecido com meu grupo, tenho jogos demais que quero narrar e tempo de menos.

    • cesar/kimble permalink*
      15/05/2012 2:32 pm

      Tem funcionado bem. Já fiz um arco de histórias pra L5R completo, um pra Marvel completo, agora estou no segundo de L5R e depois vou fazer outro de Marvel.

      Acredito que vai funcionar bem, ajuda a manter o pessoal concentrado na história que estão jogando e permite ficar variando o jogo.

      Abraços!

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