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Resenha: Savage Worlds

12/09/2012
SavageWorldDeluxe

Aproveitando que a Retropunk deve trazer esse RPG para o Brasil, resolvi aproveitar para fazer uma resenha sobre ele. Da Pinnacle Entertainment Group, comprei o jogo para poder mestrar Deadlands (um cenário de velho oeste/steampunk/sobrenatural que eu comento numa próxima resenha).

Savage Worlds tem um sistema baseado no uso de dados diversos para representar uma escala de valores, da mesma forma que o Cortex Plus (sistema-base para o Marvel Heroic RPG). São usados o d4, d6, d8, d10 e d12. Ao contrário do Cortex, entretanto, as jogadas de testes permitem a aplicação de modificadores positivos ou negativos nos testes.

A ficha de personagem possui atributos, perícias, edges e espaço para equipamentos. Edges são similares aos talentos de outros jogos, permitindo que os personagens adquiram novas habilidades ou se tornem melhores em algum nicho.

A resolução da maioria dos testes é simples. O jogador lança o dado referente ao seu valor na perícia mais um d6. Se ele conseguir superar uma certa dificuldade em qualquer dos dois dados, ele é bem sucedido. Se ele superar a dificuldade base por mais do que 4 pontos, ele consegue um raise. Raises indicam o grau de sucesso do personagem, quanto mais ele obtiver no teste, melhor foi seu resultado.

O d6 adicionado a jogada acima é o wild die. Somente personagens considerados Wild Cards têm acesso a ele. Ele serve para representar que o personagem é acima da média, um dos protagonistas da história. Essa não é a única mecânica do tipo. O sistema ajuda os Wild Cards a sobreviverem mais facilmente a situações perigosas, enquanto os NPCs menores tendem a morrer rapidamente.

O que não torna o jogo fácil. Pelo menos em minha campanha de Deadlands, os personagens já chegaram perto de morrer diversas vezes (inclusive um quase TPK na primeira sessão), os jogadores aprenderam rapidamente a importância de buscar cobertura quando começa um combate e a trabalhar em conjunto.

O jogo pressupõe uso de miniaturas, mas é fácil jogar sem mapa (nós já tivemos vários combates e até agora não precisamos usar minis).

O jogo também traz regras para super-poderes, psiquismo, magia e superciência. O funcionamento disso também é simples: todas essas possibilidades usam da mesma lista de poderes, mas cada uma tem regras próprias quanto sua utilização. Pegando os Psiônicos como exemplo, quando um deles tira 1 no seu teste para ativar um poder, fica atordoado. Se em vez de 1, ele tirar uma falha crítica (1 no seu dado normal e 1 no wild die), ele dá um grito psíquico que atordoa todas as pessoas próxima. Já os usuários de magia divina (o jogo tem tanto magia divina quanto arcana) não precisam se preocupar com resultados 1, mas precisam respeitar os dogmas de sua religião ou perdem os poderes.

Além disso, o jogo traz regras para combate em massa, com veículos, conflitos sociais, além de várias regras opcionais. Ele serve como um ótimo sistema genérico, simples e facilmente adaptável para diversas ambientações.

E exatamente essa é a função dele. A Pinnacle usa o Savage Worlds como seu sistema base para diversos cenários, incluindo pequenas modificações e regras específicas nos livros de cada ambientação. Seu cenário mais famoso é Deadlands, mas o sistema também tem outras ambientações igualmente interessantes, como Weird Wars (Segunda Guerra com soldados enfrentando criaturas sobrenaturais) e Rippers (caçadores de criaturas sobrenaturais na época de Van Helsing).

Lendo, inicialmente fiquei com um pé atrás porque me lembrou um pouco Gurps. Não tenho nada contra Gurps (e não faço piadas sobre a complexidade dele), mas esse foi um sistema que me cansou rapidamente. Já o Savage Worlds logo se mostrou bem mais simples e fácil de utilizar, além de trazer algumas conceitos que gosto de ter nos sistemas que jogo ou mestro (como a complexidade na construção de um NPC ser proporcional a sua importância, personagens dos jogadores terem algumas vantagens que facilitam a realização de feitos heróicos, etc.).

A recepção dos meus jogadores tem sido muito boa. Tenho que admitir que inicialmente eu tinha um pouco de dúvida quanto ao sistema, mas ele se mostrou rápido, divertido e fácil de mestrar. E me parece bem fácil de adaptar para várias ambientações. O que explica porque quando alguém pergunta qual sistema usar para adaptar um certo filme/seriado/livro em fóruns grandes de RPG estrangeiros, Savage Worlds é um sistema que sempre é lembrado.

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