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Resenha: Fate Core (draft)

13/12/2012

fatecore3E aproveitando alguns dias que ainda tenho antes de viajar, resolvi fazer uma resenha do Fate Core, uma nova edição do sistema Fate mais genérica e fácil de adaptar para outros sistemas.

Para quem não conhece, Fate é um sistema criado por Fred Hicks e Rob Donoghue que tem como característica valorizar elementos importantes dos personagens e das cenas sendo jogadas, assim como prestar pouca atenção para alguns elementos mais tradicionais de outros jogos, como tabelas de armas com danos variados ou atributos de personagem.

É mais fácil entender isso observando o processo de criação de personagens. Todo personagens possuem perícias, façanhas e aspectos.

Perícias funcionam como em outros jogos. Elas permitem realizar coisas e podem ser escolhidas em diferentes graduações, de forma a demonstrar as especializações dos personagens. Como o jogo não tenta ser uma simulação detalhada de cada ato possível de ser realizado por cada perícia, ele define 4 ações possíveis para as perícias: atacar, defender, criar uma vantagem ou superar um problema. Todas as formas possíveis de usar qualquer das perícias, entram em uma das 4 ações possíveis.

Façanhas seriam como talentos ou vantagens em outros jogos. Eles permitem que os personagens façam coisas mais facilmente, de forma diferenciada ou completamente novas.

E por fim os Aspectos, que devem ser a mecânica mais divertida do jogo. Eles são características que ajudam a definir quem é o personagem, sobre o que é a cena ou qual é a história sendo contada. Eles são frases de efeito, adjetivos, modos de pensar ou agir. Batman poderia ter um aspecto “Cavaleiro das Trevas”, enquanto um personagem como Jack Bauer poderia ter “O que for necessário”. Uma cena num hotel durante um incêndio poderia ter o aspecto “Em chamas!”, enquanto uma luta no topo de um trem em movimento poderia ter “Em alta velocidade!”. Uma campanha sobre investigação de fenômenos sobrenaturais poderia ter o aspecto “Eu quero acreditar” enquanto outra sobre cavaleiros da Távola Redonda poderia ter “Por Camelot!”.

fatecore1Aspectos podem ser ‘invocados’ (gastando um fate point, um tipo de recurso limitado) sempre que o personagem se encontra numa situação onde eles poderiam trazer alguma vantagem. Nesse caso, eles dão um bônus nas jogadas ou permitem rolar novamente os dados. E eles também podem ser compelidos quando são desvantajosos, causando uma dificuldade (normalmente, algum tipo de ‘erro’ do personagem) e proporcionando um fate point para a ‘vítima’ do infortúnio.

Devido a importância dos aspectos, eles constamente são usados na resolução de problemas. Seja como apoio para sair de uma situação ruim, seja como forma de afundar ainda mais em dificuldades. Quem já jogou o Marvel Heroic Roleplaying deve lembrar das Distinctions, que seguem um funcionamento muito similar.

O Fate Core ainda está numa versão inicial durante o kickstarter do projeto. Os responsáveis estão aproveitando esse tempo para trocar idéias com os fãs, por isso disponibilizaram essa versão de rascunho do sistema para todos que contribuíram no financiamento.

Gostei bastante do que li e faço a sugestão para quem achou a resenha interessante, que invista pelo menos um dólar no projeto. Isso já é suficiente para ter acesso a versão de testes e conhecer mais sobre o Fate Core.

O financiamento já superou em várias vezes sua meta inicial, o que significa que várias outras metas já foram atingidas, cada uma abrindo mais material e vantagens para os participantes. No momento que escrevo esta resenha já foram incluídos vários suplementos em pdf para os que contribuíram com pelo menos dez dólares, entre cenários e material novo em regras. Mas a melhor meta é a que vai ser conquistada caso o projeto alcance cento e cinquenta e cinco mil dólares: uma continuação para Espírito do Século.

Para quem não teve a chance de ler esse ótimo RPG, que já foi traduzido para o português graças a Retropunk, ele é um jogo Pulp no estilo de Planetary e Liga dos Cavalheiros Extraordinários. Os personagens-jogadores são membros de um clube de pessoas especiais, que lutam contra vilões e outras ameaças no período entre a Primeira e Segunda Guerras. Esses heróis são inspirados em filmes como Indiana Jones e histórias como Fantasma e O Sombra.

Já a continuação seria o Shadow of the Century. Dessa vez personagens são heróis inspirados em filmes e histórias dos anos 80, que se reúnem para proteger o mundo quando rupturas no tempo começam a trazer para o presente ameaças antigas, como vilões e criaturas do passado (sim, dinossauros também). Esquadrão Classe A, Goonies, A Super Máquina, Aventureiros do Bairro Proibido, são todos inspirações para esse suplemento.

Quem quiser participar, o kickstarter do projeto está aqui. É um jogo que vale a pena conhecer e que pode render muitas boas sessões, para jogadores que querem experimentar algo diferente.

2 Comentários leave one →
  1. 13/12/2012 7:56 pm

    Kimble pelo que li da resenha só tirou mesmo a essência do Espirito do século e tirou o que o pessoal chama de fluff. Pensei que teriam correções. Sinceramente o que caga no pau no fate é o tal dos Aspectos. É zuado cara, os jogadores tem que ter uma “educação” pra jogar de boa. Porque senão vão se perder minutos e minutos com discussões de conceitos do personagem e o que deseja evocar durante a narrativa.

    Enfim, não tem mais informações sobre o fate core que sejam bem diferentes do EdS? E qual é a diferença do Dresden Files RPG? Pessoal paga pau, mas única coisa que sei é que melhoraram na parte da construção da trama do jogo.

    Abraços, valeu aí pela resenha.

    • 13/12/2012 11:01 pm

      Alan, o jogo diminui a terminologia e simplificou em alguns pontos. Eles preferiram excluir alguns dos termos antigos e trocar por outros. Mas é o tipo de jogo que exige um certo acordo de cavalheiros entre jogadores e Mestre pra funcionar. Os fate points ajudam nesse sentido, pois eles limitam o número de vezes que um jogador vai conseguir invocar seus aspectos.

      Abraços,
      Kimble

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